adeus

A obra é composta por duas chapas de metal (uma de cobre; a outra latão) que contém uma notação musical representada por traços. A música gravada no metal é a Valsa de Eurídice, por Vinicius de Moraes.

 

As placas de metal são “escaneadas” por um grupo de sensores fixados a dois atuadores lineares, um para cada chapa. Quando o sistema é ativado, os dois grupos de sensores se movem em sincronia e tocam a canção. Ao final de cada placa, os sensores movem-se no sentido contrário e recomeçam. Porém, como o mecanismo é montado por um humano, os grupos de sensores vão, lentamente, saindo de sincronia, alterando o som da música que é tocada – a montagem não é perfeita, refletindo as falhas e a entropia inerente à natureza humana.

 

O mecanismo auditório atinge, gradualmente, a desordem. Porém, devido as idiossincrasias do sistema, ele irá se recuperar das consequências entrópicas e os sensores irão, eventualmente, voltar à sincroniza inicial, apenas para se iniciarem novamente sua descida ao caos. No momento em que Orfeu começa sua jornada de volta ao mundo mortal, ele está gradualmente caindo na desordem que irá culminar com a morte de Eurídice. Antes que este evento ocorra, entretanto, é criado um espaço liminar – o momento que antecede o seu olhar para trás – que Nicolas Bourriaud chama de “interstício”. Esta pequena abertura no espaço e tempo permite o surgimento de um domínio de trocas entre Orfeu e Eurídice. É o momento em que Orfeu perde a beleza, mesmo que a veja, porque não se pode possuí-la.

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